A primeira gala do Angola Fashion Moda, a cujo sucesso a Imprensa deu relevo, com quase quatro dezenas de vencedores em várias categorias de moda, marcando um dos programas mais apetecíveis da noite de Luanda, no passado sábado, dia 19, no Hotel Skyna, é um sinal bem elegante de desenvolvimento da sociedade angolana. 


A existência de uma indústria de moda já suficientemente consistente para poder distinguir  estilistas, modelos, blogues, revistas, editoras, como aconteceu nesta primeira edição do Angola Fashion Moda, é realmente prova acabada de uma Economia capaz de gerar mais valias características do chamado primeiro mundo. 


Estiveram em disputa prémios como o da vanguarda da moda ou do ícone da moda, bem como diversos prémios de carreira, de revelação, entre muitos outros, com nomeações para profissionais ligados a esta sofisticada indústria e para empresas que contribuem para o desenvolvimento. 


É angolana - recorde-se - um dos emergentes nomes dos modelos femininos da alta-roda desta indústria, Maria Borges, que ainda recentemente abriu, em Nova Iorque, o show Greg Lauren. De um concurso Elite Model Look de Angola voou para as passadeiras mais fascinantes deste universo, como uma das mais procuradas top models internacionais. 


Não é também por acaso que a propósito de um outro evento da moda já enraizado em Angola, - o Angola Fashion Week - um brasileiro do meio, Jackson Araújo, consultor de moda, para quem este fenómeno é a expressão do tempo, narrando todos os momentos sócio económicos, disse e escreveu ser impossível, “ao chegar em Angola não ser impactado pela elegância natural das pessoas nas ruas, assim como pela liberdade no uso de cores e estampas presentes nos panos que enrolam os corpos e as cabeças”. 


Mesmo considerando que o design de muitos dos tecidos que fazem a roupa da moda é uma recriação das cores e das formas do bati indonésio. Uma recriação que se instalou em Africa há mais de meio século, em força pelo menos desde os anos 60, e que, neste tempo, ganhou o ADN africano, bem patente, por exemplo, no tema do mais recente Angola Fashion Week  - o “Imbondeiro”, árvore que representa, ao mesmo tempo, a cultura popular angolana e a sofisticação dos nossos criadores.


Esta temática, pouco habitual nas minhas reflexões, confirma a ideia, que vou consolidando, de que em países como Angola afirmam-se como novos pólos de desenvolvimento, não apenas em manifestações ligadas ao Mundo da moda mas também noutros aspectos. É impossível projectar acontecimentos com este peso mediático sem que haja, no todo da sociedade, uma vontade colectiva que aponta o desenvolvimento que lhes são inerentes. 


Numa África que há muito é o continente do futuro, Angola afirma-se em muitas frentes, incluindo a difícil frente da moda, difícil mas com capacidade de mostrar sinais de desenvolvimento sempre muito elegantes.

 

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com