A Convenção sobre a Carta da Renascença Cultural de África, que recente sessão extraordinário do Conselho de Ministros, sob a orientação do presidente José Eduardo dos Santos, apreciou remetendo o documento à Assembleia Nacional, é um compromisso virado para o reforço do espírito do Pan-Africanismo, nomeadamente no domínio das artes e da cultura.
Tal como o Renascimento europeu, nascido em Itália no século XV para enquadrar outros olhares sobre a sociedade e sobre o desenvolvimento, que passou a ser mais centrado no Homem e menos resignado a desígnios então julgados inalteráveis, também a Renascença Cultural de Africa visa mudanças de dimensão semelhante.
Meio século após o Renascimento gerado pelo grande período das independências (anos sessenta do século passado), meio século depois da criação da Organização da Unidade Africana (1963), um quarto de século depois da libertação de Nelson Mandela e do fim do apartheid e já no século XXI marcado pela criação da União Africana, a ideia de uma Renascença em Africa ganha todo o sentido.
Será - e já é - fundamental para, também no plano das artes e da cultura, consolidar vontades africanas que se unam no combate à pobreza e às desigualdades que travam o desenvolvimento que a África pode atingir pelas enormes capacidades que possui, um desenvolvimento que é mais do que esperado à luz da ideia de uma Renascença Africana tal como a podemos projetar.
Sem querer entrar em considerações que pertencem aos críticos de arte, mas não abdicando da minha opinião enquanto pessoa que olha para o que se passa à sua volta, tentando relacionar tudo o que vê, ligo a exposição da arte contemporânea "You Love Me, You Love Me Not, que a Fundação Sindica Dokolo está a mostrar pelo Mundo e se encontra atualmente no Porto, como uma das facetas dessa Renascença, mesmo considerando que ela inclui obras de artistas não africanos.
Tudo isto tem - não podemos duvidar - uma particular importância para a própria afirmação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde logo pelo facto de mais de metade dos países que integram a CPLP serem africanos. O desenvolvimento de Africa que a Carta da Renascença Cultural de África preconiza é também muito importante para a afirmação do espaço lusófono.
Não ignorando Timor Leste e as pontes afetivas que o território de Macau mantém, o eixo da lusofonia fortalece-se em África, alongando-se a Norte para Portugal e a Sul para o Brasil.  E é nessa relação Norte / Sul que verdadeiramente se equaciona a questão do desenvolvimento subjacente à ideia de Renascença Africana. 
Na política como arte de servir os outros tudo conta - até o conhecimento da Geografia.
Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com

A Convenção sobre a Carta da Renascença Cultural de África, que recente sessão extraordinário do Conselho de Ministros, sob a orientação do presidente José Eduardo dos Santos, apreciou remetendo o documento à Assembleia Nacional, é um compromisso virado para o reforço do espírito do Pan-Africanismo, nomeadamente no domínio das artes e da cultura.

Tal como o Renascimento europeu, nascido em Itália no século XV para enquadrar outros olhares sobre a sociedade e sobre o desenvolvimento, que passou a ser mais centrado no Homem e menos resignado a desígnios então julgados inalteráveis, também a Renascença Cultural de Africa visa mudanças de dimensão semelhante.

Meio século após o Renascimento gerado pelo grande período das independências (anos sessenta do século passado), meio século depois da criação da Organização da Unidade Africana (1963), um quarto de século depois da libertação de Nelson Mandela e do fim do apartheid e já no século XXI marcado pela criação da União Africana, a ideia de uma Renascença em Africa ganha todo o sentido.

Será - e já é - fundamental para, também no plano das artes e da cultura, consolidar vontades africanas que se unam no combate à pobreza e às desigualdades que travam o desenvolvimento que a África pode atingir pelas enormes capacidades que possui, um desenvolvimento que é mais do que esperado à luz da ideia de uma Renascença Africana tal como a podemos projetar.

Sem querer entrar em considerações que pertencem aos críticos de arte, mas não abdicando da minha opinião enquanto pessoa que olha para o que se passa à sua volta, tentando relacionar tudo o que vê, ligo a exposição da arte contemporânea "You Love Me, You Love Me Not, que a Fundação Sindica Dokolo está a mostrar pelo Mundo e se encontra atualmente no Porto, como uma das facetas dessa Renascença, mesmo considerando que ela inclui obras de artistas não africanos.

Tudo isto tem - não podemos duvidar - uma particular importância para a própria afirmação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde logo pelo facto de mais de metade dos países que integram a CPLP serem africanos. O desenvolvimento de Africa que a Carta da Renascença Cultural de África preconiza é também muito importante para a afirmação do espaço lusófono.

Não ignorando Timor Leste e as pontes afetivas que o território de Macau mantém, o eixo da lusofonia fortalece-se em África, alongando-se a Norte para Portugal e a Sul para o Brasil.  E é nessa relação Norte / Sul que verdadeiramente se equaciona a questão do desenvolvimento subjacente à ideia de Renascença Africana. 

Na política como arte de servir os outros tudo conta - até o conhecimento da Geografia.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com