Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal revela que se já verificou uma queda nas vendas de 20% em Abril mas que os preços ainda se mantêm estáveis. Adianta também que os portugueses continuam a procurar casa e a comprar.
Em entrevista ao Diário Imobiliário, o responsável admite ainda que muitas empresas estão hoje melhor preparadas para enfrentar esta crise, mas há um desafio óbvio a enfrentar, como em todos os sectores de actividade: a gestão de tesouraria. A duração do estado de alarme, e o tempo necessário para que a situação comece a normalizar, implica que muitas empresas imobiliárias terão dificuldades na continuação da sua actividade.
Qual será o impacto desta pandemia no mercado imobiliário?
Seria imprudente antecipar até que ponto esta crise sanitária terá um impacto específico no sector imobiliário, uma vez que o cenário muda quase a cada hora. Sabe-se, contudo, que será algo temporário. É uma situação controlada ao longo do tempo mas que implicará, a médio prazo, uma ligeira queda nos preços, em geral e em todo o território nacional, com excepção da construção nova, para a qual se antecipa a manutenção dos actuais valores de comercialização.
Antecipa-se, também, uma regularização de preços no mercado. Os proprietários passarão a ter uma relação mais equilibrada com os compradores, algo que não é apenas positivo, mas também necessário. É igualmente provável que, nesta situação económica, alguns proprietários tenham necessidade urgente de vender para enfrentar eventuais faltas de liquidez, aplicando descontos mais agressivos no preço, para conseguir uma venda rápida dos seus imóveis, no curto prazo.
O efeito negativo da economia impactará, certamente, o mercado imobiliário – sobretudo com o não pagamento de rendas, a venda de activos imobiliários para recuperar a liquidez das empresas e de alguns investidores, a venda de segundas residências – porém, este efeito poderá gerar um contexto de atracção para investidores com liquidez para comprar com desconto, no curto prazo.
A promoção imobiliária, por natureza, é um negócio de ciclo longo. É normal funcionar com horizontes de médio prazo e está preparado para ciclos de alguns meses sem vendas, como será o caso de alguns projectos. Acredito que o segmento mais afectado no mercado imobiliário será, claramente, a procura internacional, pelas restrições nas viagens entre países que seguramente irão prolongar-se por alguns meses.
Já se nota quebra nas vendas? E nos preços?
Como consequência das limitações de mobilidade, face à prioridade de contenção do vírus, em Março registámos na rede Century 21 Portugal uma quebra de 8% e em Abril de 20%. Relativamente aos preços de venda estão bastante estáveis, apenas 8% da nossa carteira teve um ajuste no preço de venda, numa média de cerca de -6%. Um indicador que revela um comportamento estável do mercado, no que diz respeito aos preços. No arrendamento, 29% dos imóveis em comercialização tiveram uma revisão do valor de renda médio de -11%. O mercado de arrendamento é normalmente mais elástico e tem que se ajustar rapidamente ao rendimento disponível dos jovens e famílias que estão no mercado.
Os portugueses vão conseguir voltar à compra de casa?
Sim, a procura – em termos de tráfego online e contactos - nas últimas duas semanas de Abril está praticamente em linha com a média semanal registada no pré-estado de emergência. Há, contudo, uma parte importante da população portuguesa que terá que vender rápido para recuperar liquidez, fazer um downgrade da sua habitação ou passar provisoriamente para arrendamento. Por outro lado, também há famílias que mantêm os seus planos de compra de primeira casa ou troca de casa, como sabemos a maioria das transacções residenciais são uma consequência das alterações da sua estrutura familiar. Apesar de existirem maiores restrições no acesso e nas condições de acesso ao crédito à habitação, um factor que pode limitar o acesso a algumas famílias a aquisição da sua casa, em especial quando membros do agregado familiar se encontrarem em situação de lay-off.
Quais têm sido as grandes dificuldades dos consultores neste período e as suas principais preocupações?
Com a crescente profissionalização do sector, muitas empresas estão hoje melhor preparadas para enfrentar esta crise, mas há um desafio óbvio a enfrentar, como em todos os sectores de actividade: a gestão de tesouraria. A duração do estado de alarme, e o tempo necessário para que a situação comece a normalizar, implica que muitas empresas imobiliárias terão dificuldades na continuação da sua actividade.
Porém, há algo positivo a retirar desta pandemia. É o impulso importante que as ferramentas digitais deram, não apenas para o teletrabalho, mas para continuar a estabelecer contacto permanente entre consultores imobiliários e clientes, através da digitalização dos processos que têm sido implementados, ao longo dos últimos meses.
Depois de termos sido forçados a implementar o teletrabalho, como fórmula para continuar a nossa vida profissional, muitas empresas provavelmente passarão a implementar mais esta solução que, da mesma forma, será também uma opção ideal para muitos trabalhadores, o que afectará directamente o mercado de trabalho, o mercado imobiliário de escritórios e, também, o mercado residencial, trazendo alterações nas preferências de tipo de imóvel e zonas para adquirir ou arrendar casa e, provavelmente, uma diminuição na procura de casa no centro das principais cidades.
As medidas de apoio lançadas pelo Governo para as empresas de imobiliário são suficientes?
Distanciamento social e quarentena, embora imprescindíveis, são muito difíceis para milhares de pequenas empresas e trabalhadores independentes, que formam a coluna dorsal da economia portuguesa. Mais do que avaliar as medidas, o que consideramos é que necessária maior agilidade nas respostas e entrega dos apoios. Reconhecemos o esforço do Estado neste momento difícil para toda a sociedade e naturalmente tem que haver prioridades, o que respeitamos.
Acredita que a imagem positiva que Portugal está a passar a nível internacional vai reafirmar o nosso país como um destino de investimento seguro?
Actualmente a percepção internacional de Portugal é extremamente positiva, contudo o maior desafio será a fase de desconfinamento. É agora que a sociedade civil tem que mostrar o melhor de si, mostrar um inequívoco sentido de compromisso nacional, responsabilidade social e assumir um esforço comum para enfrentar uma situação sem precedentes, da qual emergiremos, sem dúvida, reforçados e com uma nova perspectiva de vida, porque esta pandemia vai obrigar-nos a repensar e mudar muitos paradigmas.
Quanto tempo acha que o mercado vai levar a recuperar?
Com a informação que temos hoje, é expectável que o mercado imobiliário venha a registar um 4º trimestre forte, e uma recuperação progressiva ao longo de 2021.
Fonte: Diário Imobiliário

Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal revela que se já verificou uma queda nas vendas de 20% em Abril mas que os preços ainda se mantêm estáveis. Adianta também que os portugueses continuam a procurar casa e a comprar.
Em entrevista ao Diário Imobiliário, o responsável admite ainda que muitas empresas estão hoje melhor preparadas para enfrentar esta crise, mas há um desafio óbvio a enfrentar, como em todos os sectores de actividade: a gestão de tesouraria. A duração do estado de alarme, e o tempo necessário para que a situação comece a normalizar, implica que muitas empresas imobiliárias terão dificuldades na continuação da sua actividade.
Qual será o impacto desta pandemia no mercado imobiliário?
Seria imprudente antecipar até que ponto esta crise sanitária terá um impacto específico no sector imobiliário, uma vez que o cenário muda quase a cada hora. Sabe-se, contudo, que será algo temporário. É uma situação controlada ao longo do tempo mas que implicará, a médio prazo, uma ligeira queda nos preços, em geral e em todo o território nacional, com excepção da construção nova, para a qual se antecipa a manutenção dos actuais valores de comercialização.
Antecipa-se, também, uma regularização de preços no mercado. Os proprietários passarão a ter uma relação mais equilibrada com os compradores, algo que não é apenas positivo, mas também necessário. É igualmente provável que, nesta situação económica, alguns proprietários tenham necessidade urgente de vender para enfrentar eventuais faltas de liquidez, aplicando descontos mais agressivos no preço, para conseguir uma venda rápida dos seus imóveis, no curto prazo.
O efeito negativo da economia impactará, certamente, o mercado imobiliário – sobretudo com o não pagamento de rendas, a venda de activos imobiliários para recuperar a liquidez das empresas e de alguns investidores, a venda de segundas residências – porém, este efeito poderá gerar um contexto de atracção para investidores com liquidez para comprar com desconto, no curto prazo.
A promoção imobiliária, por natureza, é um negócio de ciclo longo. É normal funcionar com horizontes de médio prazo e está preparado para ciclos de alguns meses sem vendas, como será o caso de alguns projectos. Acredito que o segmento mais afectado no mercado imobiliário será, claramente, a procura internacional, pelas restrições nas viagens entre países que seguramente irão prolongar-se por alguns meses.
Já se nota quebra nas vendas? E nos preços?
Como consequência das limitações de mobilidade, face à prioridade de contenção do vírus, em Março registámos na rede Century 21 Portugal uma quebra de 8% e em Abril de 20%. Relativamente aos preços de venda estão bastante estáveis, apenas 8% da nossa carteira teve um ajuste no preço de venda, numa média de cerca de -6%. Um indicador que revela um comportamento estável do mercado, no que diz respeito aos preços. No arrendamento, 29% dos imóveis em comercialização tiveram uma revisão do valor de renda médio de -11%. O mercado de arrendamento é normalmente mais elástico e tem que se ajustar rapidamente ao rendimento disponível dos jovens e famílias que estão no mercado.
Os portugueses vão conseguir voltar à compra de casa?
Sim, a procura – em termos de tráfego online e contactos - nas últimas duas semanas de Abril está praticamente em linha com a média semanal registada no pré-estado de emergência. Há, contudo, uma parte importante da população portuguesa que terá que vender rápido para recuperar liquidez, fazer um downgrade da sua habitação ou passar provisoriamente para arrendamento. Por outro lado, também há famílias que mantêm os seus planos de compra de primeira casa ou troca de casa, como sabemos a maioria das transacções residenciais são uma consequência das alterações da sua estrutura familiar. Apesar de existirem maiores restrições no acesso e nas condições de acesso ao crédito à habitação, um factor que pode limitar o acesso a algumas famílias a aquisição da sua casa, em especial quando membros do agregado familiar se encontrarem em situação de lay-off.
Quais têm sido as grandes dificuldades dos consultores neste período e as suas principais preocupações?
Com a crescente profissionalização do sector, muitas empresas estão hoje melhor preparadas para enfrentar esta crise, mas há um desafio óbvio a enfrentar, como em todos os sectores de actividade: a gestão de tesouraria. A duração do estado de alarme, e o tempo necessário para que a situação comece a normalizar, implica que muitas empresas imobiliárias terão dificuldades na continuação da sua actividade.
Porém, há algo positivo a retirar desta pandemia. É o impulso importante que as ferramentas digitais deram, não apenas para o teletrabalho, mas para continuar a estabelecer contacto permanente entre consultores imobiliários e clientes, através da digitalização dos processos que têm sido implementados, ao longo dos últimos meses.
Depois de termos sido forçados a implementar o teletrabalho, como fórmula para continuar a nossa vida profissional, muitas empresas provavelmente passarão a implementar mais esta solução que, da mesma forma, será também uma opção ideal para muitos trabalhadores, o que afectará directamente o mercado de trabalho, o mercado imobiliário de escritórios e, também, o mercado residencial, trazendo alterações nas preferências de tipo de imóvel e zonas para adquirir ou arrendar casa e, provavelmente, uma diminuição na procura de casa no centro das principais cidades.
As medidas de apoio lançadas pelo Governo para as empresas de imobiliário são suficientes?
Distanciamento social e quarentena, embora imprescindíveis, são muito difíceis para milhares de pequenas empresas e trabalhadores independentes, que formam a coluna dorsal da economia portuguesa. Mais do que avaliar as medidas, o que consideramos é que necessária maior agilidade nas respostas e entrega dos apoios. Reconhecemos o esforço do Estado neste momento difícil para toda a sociedade e naturalmente tem que haver prioridades, o que respeitamos.
Acredita que a imagem positiva que Portugal está a passar a nível internacional vai reafirmar o nosso país como um destino de investimento seguro?
Actualmente a percepção internacional de Portugal é extremamente positiva, contudo o maior desafio será a fase de desconfinamento. É agora que a sociedade civil tem que mostrar o melhor de si, mostrar um inequívoco sentido de compromisso nacional, responsabilidade social e assumir um esforço comum para enfrentar uma situação sem precedentes, da qual emergiremos, sem dúvida, reforçados e com uma nova perspectiva de vida, porque esta pandemia vai obrigar-nos a repensar e mudar muitos paradigmas.
Quanto tempo acha que o mercado vai levar a recuperar?
Com a informação que temos hoje, é expectável que o mercado imobiliário venha a registar um 4º trimestre forte, e uma recuperação progressiva ao longo de 2021.

Fonte: https://casa.sapo.pt/noticias/mercado-imobiliario-ja-deve-ter-um-4-trimestre-forte-e-uma-recuperacao-progressiva-em-2021/?id=28235