A cooperação internacional é indispensável ao desenvolvimento. Leio isto, mais uma vez, nas entrelinhas de uma entrevista da secretária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) em Angola, Beatriz Morais, quando esta dirigente da SADC revela - cito - “que os esforços encetados por Angola no Corredor de Desenvolvimento do Lobito não encontraram ainda paralelismo nos países que dele também poderão beneficiar”.

 

Beatriz Morais reconhece que a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral ainda não gerou os resultados que se esperariam no plano do crescimento económico de todos os países países membros, com vista à satisfação das necessidades mais elementares das populações, em parte pelos efeitos da recessão mundial mas também pela falta de cooperação internacional nomeadamente entre países com projectos comuns.

 

O exemplo do Corredor de Desenvolvimento do Lobito é paradigmático. Como refere Beatriz Morais, os esforços encetados por Angola neste projecto, com a reconstrução, reabilitação, modernização ou expansão de uma série de infraestruturas de transporte e de logística, ainda não tiveram correspondência nos países vizinhos interessados, ou seja a RD Congo e a Zâmbia, situação que nos remete para a necessidade da cooperação internacional também na Economia.

 

A reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), já iniciada por Luanda, é um instrumento fundamental para o Corredor de Desenvolvimento do Lobito, que, como recordou Beatriz Morais na entrevista que venho referindo,  integra o Porto do Lobito (Terminal Mineiro¸ Terminal de Contentores, Porto Seco) e o Aeroporto Internacional da Catumbela, além de outras infraestruturas logísticas.

 

A melhoria das condições de logística e transporte de pessoas e bens que está contemplada  na reabilitação do CFB  dotará o corredor do Lobito de uma estrada de ferro fundamental para o escoamento de produtos agrícolas e para o  incremento dos fluxos comerciais, facilitando igualmente a circulação de pessoas, tendo em vista a promoção e o desenvolvimento desenvolvimento turístico.

 

A cooperação internacional é, realmente, indispensável ao desenvolvimento e isto tem uma outra dimensão se pensarmos que os Caminho-de-Ferro de Benguela unem a RDC e a Zâmbia a Angola, ao serem serem um canal de acesso privilegiado ao mar, pelo tempo e pelo preço. Uma linha  que  aumentará a produtividade e contribuirá para a criação de emprego. Assim haja a integração regional, com diálogo e concertação política.

 

Uma mensagem que nunca é demais sublinhar nestes tempos difíceis no relacionamento internacional.

 

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
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