A 22º Conferência Internacional sobre Literatura Africana que decorreu há dias em em Accra, no Ghana, numa organização da Associação Pan-Africana de Escritores que mobilizou centenas de escritores entre os quais os angolanos David Capelenguela, Pombal Maria e Marta Santos, centrou-se na vida e obra de Chinua Achebe, romancista, poeta e crítico literário que é um dos pais fundadores da moderna literatura africana, ou seja, da literatura que reencontra as raízes do continente, expurgando-as das marcas do colonialismo e prevenindo-a contra o neo-colonialismo.
Chinua Achebe (1930–2013) denunciou a depreciação que o Ocidente fazia (e ainda fará) da cultura e da civilização africanas, como efeitos colaterais da colonização do continente pelos europeus, com tanto empenho que tendo sido registado à nascença com o nome de Albert Achebe, quando a Nigéria ainda estava sob o domínio colonial britânico, viria a renegar o seu nome britânico, Albert, para assumir o nome da família tradicional Igbo que também tinha recebido, Chinualumogu.
A sua primeira obra  - “O Mundo se Despedaça” -, datada de 1958 e já traduzida em mais de cinquenta línguas, é uma narrativa centrada em torno de um guerreiro chamado Okonkwo, da etnia igbo, estabelecida no sudeste da Nigéria, às margens do rio Níger, que testemunhou a gradual desintegração da vida tribal, com a chegada do colonizador branco a impor pela força novas crenças e novas formas de governo que destruíram o equilíbrio existente na sociedade igbo e o seu natural desenvolvimento.
Nesta que é uma das obras fundadoras da moderna literatura africana, o autor, homenageado há dias em Accra, na já citada conferência, registou, há mais de meio século um dos principais (e ainda real) problemas no relacionamento entre povos que sempre resulta da imposição de costumes e ideias diferentes, às vezes sob o alibi da necessidade - não comprovada - da uniformização dos comportamentos dos povos. 
Dar relevo a um acontecimento como foi a 22º Conferência Internacional sobre Literatura Africana é reafirmar, culturalmente, o esforço patriótico dos africanos que protagonizaram os movimentos de libertação na segunda metade do século XX. A literatura, como manifestação cultural dos povos, está sempre muito ligada à própria luta desses mesmos povos, como tão bem sabem os angolanos que há dois dias, a 11 de Novembro, celebraram o 40º aniversário da independência.
Uma celebração seguramente antecipada e evocada em Accra, no Ghana, pelos escritores angolanos David Capelenguela, Pombal Maria e Marta Santos que participaram Conferência Internacional sobre Literatura Africana que ali decorreu de 5 a 8 do presente mês de Novembro.
Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com 

A 22º Conferência Internacional sobre Literatura Africana que decorreu há dias em em Accra, no Ghana, numa organização da Associação Pan-Africana de Escritores que mobilizou centenas de escritores entre os quais os angolanos David Capelenguela, Pombal Maria e Marta Santos, centrou-se na vida e obra de Chinua Achebe, romancista, poeta e crítico literário que é um dos pais fundadores da moderna literatura africana, ou seja, da literatura que reencontra as raízes do continente, expurgando-as das marcas do colonialismo e prevenindo-a contra o neo-colonialismo.


Chinua Achebe (1930–2013) denunciou a depreciação que o Ocidente fazia (e ainda fará) da cultura e da civilização africanas, como efeitos colaterais da colonização do continente pelos europeus, com tanto empenho que tendo sido registado à nascença com o nome de Albert Achebe, quando a Nigéria ainda estava sob o domínio colonial britânico, viria a renegar o seu nome britânico, Albert, para assumir o nome da família tradicional Igbo que também tinha recebido, Chinualumogu.


A sua primeira obra  - “O Mundo se Despedaça” -, datada de 1958 e já traduzida em mais de cinquenta línguas, é uma narrativa centrada em torno de um guerreiro chamado Okonkwo, da etnia igbo, estabelecida no sudeste da Nigéria, às margens do rio Níger, que testemunhou a gradual desintegração da vida tribal, com a chegada do colonizador branco a impor pela força novas crenças e novas formas de governo que destruíram o equilíbrio existente na sociedade igbo e o seu natural desenvolvimento.


Nesta que é uma das obras fundadoras da moderna literatura africana, o autor, homenageado há dias em Accra, na já citada conferência, registou, há mais de meio século um dos principais (e ainda real) problemas no relacionamento entre povos que sempre resulta da imposição de costumes e ideias diferentes, às vezes sob o alibi da necessidade - não comprovada - da uniformização dos comportamentos dos povos. 


Dar relevo a um acontecimento como foi a 22º Conferência Internacional sobre Literatura Africana é reafirmar, culturalmente, o esforço patriótico dos africanos que protagonizaram os movimentos de libertação na segunda metade do século XX. A literatura, como manifestação cultural dos povos, está sempre muito ligada à própria luta desses mesmos povos, como tão bem sabem os angolanos que há dois dias, a 11 de Novembro, celebraram o 40º aniversário da independência.


Uma celebração seguramente antecipada e evocada em Accra, no Ghana, pelos escritores angolanos David Capelenguela, Pombal Maria e Marta Santos que participaram Conferência Internacional sobre Literatura Africana que ali decorreu de 5 a 8 do presente mês de Novembro.


Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com