A falta de imóveis para vender (do lado de quem opera no negócio) ou para comprar (por parte de quem pretende investir) é, atualmente, a tónica destacada pelo setor imobiliário - em público e à porta fechada -  como referem várias fontes do setor ao idealista/news. Apontada por muitos como a solução para travar a escalada de preços que se vive em Portugal nos últimos anos, o reforço da oferta através de obra nova é vista ao mesmo tempo como uma oportunidade, que cada vez mais empresas estão a dar sinais de estar a aproveitar. (Quase) diariamente chegam ao mercado informações de novos projetos de promoção imobiliária - mas faltam mais, sobretudo para a classe média e os jovens.
Ao longo do primeiro semestre de 2018, o volume de transações de habitação chegou ao valor mais elevado da última década, quando comparado com igual período dos anos anteriores e é previsto que as vendas totais dos 12 meses atinjam o record dos últimos 10 anos. Até junho foram efetuadas mais de 86,3 mil transações de imóveis residenciais, com um valor global de 11,6 mil milhões de euros, traduzindo crescimentos de 20% em número e de 30% em valor, face ao período homólogo de 2017.
"A consequência mais direta deste aumento da procura tem sido o escalar dos preços da habitação, uma situação muito penalizadora para uma parte significativa da população portuguesa. Para fazer face a tal situação, urge acelerar a construção nova de habitação e a reabilitação nas zonas periféricas das cidades", considera a FEPICOP -Federação Portugeusa da Indústria da Construção e Obras Públicas.
E, segundo o organismo que representa as duas associações do setor da construção , "nota-se já algum ajustamento no mercado, que, após anos em mínimos de atividade, começa já a registar aumentos significativos no número de licenças emitidas" para construção de novos fogos (+38% até julho) e, paralelamente, no número de fogos novos concluídos (+38% no 1º trimestre do ano), "valores ainda assim insuficientes para um nível de procura que se continua a antever elevada".
Faltam 70 mil casas em Portugal para a classe média e jovens
Dados recolhidos pelo Gabinete de Estudos da APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal mostram, entretanto, que no primeiro semestre de 2018 foram licenciados 7.510 edifícios para construção nova em Portugal, dos quais 5.591 serão dirigidos para habitação familiar, o que corresponde a 9.836 fogos que estarão disponíveis no mercado. “Um número que fica assim muito aquém das necessidades habitacionais”, afirma o representante das imobiliárias Luís Lima, alertando que a construção que está a ser feita não é dirigida ao perfil médio dos portugueses, sendo por isso necessário aumentar também o stock para famílias de classe média e jovens.
“Estamos num ciclo vicioso. Há pouca oferta e muita procura, que faz com que o valor das casas suba e deixe de estar ao alcance das famílias. Para atenuar os problemas habitacionais, seria necessário introduzir no mercado cerca de 70 mil casas novas. Destas, mais de metade deveriam aparecer em Lisboa e Porto, onde se concentra mais de 50% da procura”, analisa o presidente da APEMIP, destacando o problema que existe devido ao tempo entre um licenciamento e a colocação no mercado de um imóvel.
IVA a 6% para construção nova - similar à reabilitação urbana
Esta mesma visão tem o vice-presidente da APPII - Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários. "A construção nova fora dos centros urbanos, principalmente no segmento residencial, mas também no de escritórios, é uma verdadeira necessidade do mercado imobiliário da atualidade, sendo portanto uma nova janela de oportunidade, que os promotores imobiliários devem estar atentos", declara Hugo Santos Ferreira.
Para ajudar a fomentar este fenómeno, o porta-voz dos principais investidores do setor imobiliário em Portugal reclama incentivos similares aos que foram dados à reabilitação urbana. "É muito importante começar a incentivar – com factores de descriminação positiva – a construção nova, a par do que se fez com a reabilitação urbana, sendo crucial estimular a construção localizada fora dos centros urbanos (ou pelo menos fora das designadas zonas prime) e em especial aquela que se destina à classe média e aos jovens". Reclama, por exemplo, a redução do IVA para 6% na construção nova, à semelhança da reabilitação urbana.
Oportunidades de negócio
A ideia de Santos Ferreira é que seja feito um cruzamento na oferta para os vários segmentos de mercado, sem afetar nenhum, e consequentemente apostar no dinamismo que vive o setor imobiliário atualmente em Portugal. Ou seja: "há que viabilizar um mercado em equilíbrio! Que seja atrativo para os estrangeiros (que são e devem continuar a ser muito bem-vindos, ou não estivesse o atual crescimento da nossa economia muito alicerçado na captação de investimento estrangeiro, sendo o setor imobiliário um dos seus maiores catalisadores), mas também acessível aos portugueses".
Do lado de quem conhece bem o mercado nacional e internacional, a opinião é a mesma. “Com o problema da escassez de oferta de habitações a preços acessíveis aos portugueses e o aumento dos preços do imobiliário nacional, acreditamos que será com mais oferta que se irá satisfazer a procura e equilibrar os preços. Após o sucesso da reabilitação dos edifícios, que está a deixar as nossas cidades mais bonitas, é necessário construir mais habitação nas zonas onde a procura é muito elevada e a oferta insuficiente. Chegou a hora da construção nova regressar a Portugal. Agora é o momento”, analisa César Oteiza, cofundador e diretor do idealista Portugal.

A falta de imóveis para vender (do lado de quem opera no negócio) ou para comprar (por parte de quem pretende investir) é, atualmente, a tónica destacada pelo setor imobiliário - em público e à porta fechada -  como referem várias fontes do setor ao idealista/news. Apontada por muitos como a solução para travar a escalada de preços que se vive em Portugal nos últimos anos, o reforço da oferta através de obra nova é vista ao mesmo tempo como uma oportunidade, que cada vez mais empresas estão a dar sinais de estar a aproveitar. (Quase) diariamente chegam ao mercado informações de novos projetos de promoção imobiliária - mas faltam mais, sobretudo para a classe média e os jovens.

Ao longo do primeiro semestre de 2018, o volume de transações de habitação chegou ao valor mais elevado da última década, quando comparado com igual período dos anos anteriores e é previsto que as vendas totais dos 12 meses atinjam o record dos últimos 10 anos. Até junho foram efetuadas mais de 86,3 mil transações de imóveis residenciais, com um valor global de 11,6 mil milhões de euros, traduzindo crescimentos de 20% em número e de 30% em valor, face ao período homólogo de 2017.

"A consequência mais direta deste aumento da procura tem sido o escalar dos preços da habitação, uma situação muito penalizadora para uma parte significativa da população portuguesa. Para fazer face a tal situação, urge acelerar a construção nova de habitação e a reabilitação nas zonas periféricas das cidades", considera a FEPICOP -Federação Portugeusa da Indústria da Construção e Obras Públicas.E, segundo o organismo que representa as duas associações do setor da construção , "nota-se já algum ajustamento no mercado, que, após anos em mínimos de atividade, começa já a registar aumentos significativos no número de licenças emitidas" para construção de novos fogos (+38% até julho) e, paralelamente, no número de fogos novos concluídos (+38% no 1º trimestre do ano), "valores ainda assim insuficientes para um nível de procura que se continua a antever elevada".

Faltam 70 mil casas em Portugal para a classe média e jovensDados recolhidos pelo Gabinete de Estudos da APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal mostram, entretanto, que no primeiro semestre de 2018 foram licenciados 7.510 edifícios para construção nova em Portugal, dos quais 5.591 serão dirigidos para habitação familiar, o que corresponde a 9.836 fogos que estarão disponíveis no mercado. “Um número que fica assim muito aquém das necessidades habitacionais”, afirma o representante das imobiliárias Luís Lima, alertando que a construção que está a ser feita não é dirigida ao perfil médio dos portugueses, sendo por isso necessário aumentar também o stock para famílias de classe média e jovens.

“Estamos num ciclo vicioso. Há pouca oferta e muita procura, que faz com que o valor das casas suba e deixe de estar ao alcance das famílias. Para atenuar os problemas habitacionais, seria necessário introduzir no mercado cerca de 70 mil casas novas. Destas, mais de metade deveriam aparecer em Lisboa e Porto, onde se concentra mais de 50% da procura”, analisa o presidente da APEMIP, destacando o problema que existe devido ao tempo entre um licenciamento e a colocação no mercado de um imóvel.

IVA a 6% para construção nova - similar à reabilitação urbanaEsta mesma visão tem o vice-presidente da APPII - Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários. "A construção nova fora dos centros urbanos, principalmente no segmento residencial, mas também no de escritórios, é uma verdadeira necessidade do mercado imobiliário da atualidade, sendo portanto uma nova janela de oportunidade, que os promotores imobiliários devem estar atentos", declara Hugo Santos Ferreira.

Para ajudar a fomentar este fenómeno, o porta-voz dos principais investidores do setor imobiliário em Portugal reclama incentivos similares aos que foram dados à reabilitação urbana. "É muito importante começar a incentivar – com factores de descriminação positiva – a construção nova, a par do que se fez com a reabilitação urbana, sendo crucial estimular a construção localizada fora dos centros urbanos (ou pelo menos fora das designadas zonas prime) e em especial aquela que se destina à classe média e aos jovens". Reclama, por exemplo, a redução do IVA para 6% na construção nova, à semelhança da reabilitação urbana.

Oportunidades de negócioA ideia de Santos Ferreira é que seja feito um cruzamento na oferta para os vários segmentos de mercado, sem afetar nenhum, e consequentemente apostar no dinamismo que vive o setor imobiliário atualmente em Portugal. Ou seja: "há que viabilizar um mercado em equilíbrio! Que seja atrativo para os estrangeiros (que são e devem continuar a ser muito bem-vindos, ou não estivesse o atual crescimento da nossa economia muito alicerçado na captação de investimento estrangeiro, sendo o setor imobiliário um dos seus maiores catalisadores), mas também acessível aos portugueses".

Do lado de quem conhece bem o mercado nacional e internacional, a opinião é a mesma. “Com o problema da escassez de oferta de habitações a preços acessíveis aos portugueses e o aumento dos preços do imobiliário nacional, acreditamos que será com mais oferta que se irá satisfazer a procura e equilibrar os preços. Após o sucesso da reabilitação dos edifícios, que está a deixar as nossas cidades mais bonitas, é necessário construir mais habitação nas zonas onde a procura é muito elevada e a oferta insuficiente. Chegou a hora da construção nova regressar a Portugal. Agora é o momento”, analisa César Oteiza, cofundador e diretor do idealista Portugal.

Fonte: https://www.idealista.pt/news/imobiliario/construcao/2018/10/03/37540-obra-nova-a-nova-onda-do-imobiliario-em-portugal